Apesar de atrair um número crescente de agentes financeiros, o mercado livre de energia ainda é pouco sofisticado. Só existe a opção de negociar contratos com entrega física, embora a maior parte da demanda seja por preço, e não pelo insumo em si. É nesse espaço que a BBCE (Balcão Brasileiro de Comercialização de Energia) quer atuar.

A empresa planeja lançar em agosto uma plataforma de negociação de derivativos de energia, e obteve na semana passada autorização do colegiado da Co- missão de Valores Mobiliários (CVM) para atuar como administradora de mercado organizado de valores mobiliários.

A BBCE tem em vista oferecer derivativos para consumidores de energia ou investidores que não precisam da entrega física. Hoje, o volume negociado no mercado livre é, em média, 5,7 vezes maior que o efetivamente consumido — o que significa que a maior parte da comercialização tem finalidade meramente financeira.

“Muitos operam no mercado físico apenas para se posicionar em preço. Com os derivativos, vão ter a ferramenta correta”, afirma Daniel Rossi, presidente do conselho da BBCE.

Para Carlos Ratto, presidente da plataforma, as transações de derivativos ajudarão a suprir as necessidades de quem só precisa negociar preço — e não a comodity propriamente. “A falta de um mercado de derivativos gera riscos operacionais”, afirma.

A BBCE é controlada por comercializadoras e, de acordo com o executivo, a expectativa é que a negociação de derivativos atraia bancos e fundos interessados em operar esses ativos. É objetivo da companhia evoluir para uma bolsa de negociação de energia — a primeira do país —, o que depende de um desenvolvimento maior do mercado brasileiro. “Esse é um caminho possível e faz parte do nosso planejamento de longo prazo”, afirma Rossi.

Segundo Ratto, que foi executivo da antiga Cetip, os derivativos de energia serão os primeiros a ser oferecidos pela BBCE, mas a licença da CVM permite que a plataforma ofereça outros ativos de balcão organizado.

Nas próximas semanas, a BBCE investirá em ações educativas sobre o funcionamento do mercado e fará testes na plataforma. No começo deste mês, a companhia reforçou a governança com a eleição de três conselheiros independentes: o ex-presidente do Banco Central Gustavo Franco; o ex-presidente do Banco do Brasil Cássio Casseb; e o professor e especialista em tecnologia Silvio Meira.

A B3 também manifesta, aos poucos, maior interesse pela área. A companhia está desenvolvendo uma ferramenta de pré-registro de contratos de energia elétrica, marcando sua entrada no setor. Numa entrevista recente, o diretor de produtos de balcão, commodities e novos negócios da B3, Fabio Zenaro, disse que a evolução para uma bolsa de energia anda está no “campo das possibilidades”. (TM)

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