A BBCE, plataforma eletrônica de leilão contínuo para comercialização de energia, planeja lançar no próximo ano um mercado de derivativos de energia elétrica. A empresa vai apresentar neste mês à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) pedido de licença para se tornar entidade administradora de mercado organizado.

“Tão logo seja aprovada a medida, consequentemente a BBCE estará habilitada a ser um mercado de derivativos, ainda que derivativos bilaterais, o que favorece não só na formação de preço de energia, mas na criação de liquidez e operação de hedge e proteção em cima de quem tem posições físicas”, disse o presidente da BBCE, Victor Kodja. Segundo ele, o plano foi antecipado em um ano, devido ao rápido crescimento das operações registradas na BBCE.

No acumulado do ano até o fim de novembro, a BBCE contabilizou 153 gigawatts-hora (GWh) de energia transacionada em suas duas plataformas, com uma movimentação financeira de R$ 38 bilhões. O volume de energia negociado é mais de dez vezes superior ao registrado em igual período de 2017. A BBCE possui duas plataformas: uma para compra e venda de energia e outra apenas para registros e formalização digital de contratos firmados por duas partes.

Para o próximo ano, a BBCE prevê um crescimento de 16% dos volumes de energia transacionados na plataforma, totalizando 9 mil megawatts (MW) médios por mês. Segundo Kodja, 25% de todos os contratos registrados na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) passam pela BBCE.

Devido ao crescimento observado este ano, a BBCE, que prevê lucro líquido de R$ 10 milhões em 2018, vai ampliar investimentos em tecnologia da informação em 2019, para R$ 3,6 milhões. O montante é mais que o dobro do investido neste ano, de R$ 1,5 milhão.

Os investimentos da BBCE na área digital têm atraído o interesse de mais comercializadoras. A última foi a Pacto Energia, que em novembro adquiriu a participação da Bolt Comercializadora no capital social da BBCE. Hoje, a empresa de plataforma eletrônica conta com 32 comercializadoras como acionistas, totalizando um capital social de R$ 16,5 milhões. Ainda está em negociação a entrada de mais uma comercializadora este ano e de outras duas em 2019.

“Investimentos em digitalização serão cada vez mais constantes e, com a reformulação do setor elétrico, vão ser altamente necessários. O que estamos fazendo é nos antever a todo esse movimento para quando ele chegar, estarmos preparados, seja do ponto de vista tecnológico, seja do ponto de vista operacional”, disse o presidente da Pacto Energia, Rodrigo Pedroso. A aquisição da participação na BBCE foi o primeiro movimento de crescimento inorgânico da empresa

Outra comercializadora que está investindo em digitalização é a Máxima Energia. Com apenas um ano de operação, a companhia já alcançou R$ 1,3 bilhão em faturamento, a partir de mais de 4.500 negócios firmados e com mais de 300 contrapartes.

Segundo o fundador e presidente da empresa, Rafael Bispo, a companhia conta uma equipe de especialistas do setor e programadores para dar um viés tecnológico no tratamento da comercialização da energia. O resultado é a maior rapidez nas tomadas de decisão. “Somos uma empresa de energia com um viés tecnológico”, explicou Bispo. “Entramos e saímos de posição de forma muito rápida. Isso foi um grande avanço no setor”.

Na sexta-feira, a empresa foi uma das vencedoras do leilão A-2, negociando 4 MW médios de energia, por R$ 160,28/MWh, com fornecimento entre janeiro de 2020 e dezembro de 2021.

Segundo Bispo, a Máxima já está entre as sete maiores comercializadoras independentes de energia. O executivo não descarta no futuro negociar uma participação da empresa para fundos de investimento internacionais interessados no mercado livre de energia do Brasil. “Mas hoje estou mais preocupado em construir esse arcabouço [tecnológico da empresa]”, afirmou.

Bispo esteve recentemente com representantes de fundos nos Estados Unidos, que demonstraram interesse em investir no setor. “Há uma série de pontos que, se emplacarem, vão acelerar muito a abertura do mercado livre”, explicou.

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