Na reta final do lançamento ao mercado de derivativos de energia elétrica, o Balcão Brasileiro de Comercialização de Energia (BB- CE) reforçou sua governança com três novos conselheiros in- dependentes, cumprindo um dos principais condicionantes da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para que a empresa possa iniciar as operações do produto.

Em assembleia de acionistas na segunda-feira, o BBCE elegeu três nomes de peso, e com diferentes perfis de carreira, para ocupar as novas cadeiras do conselho: Gustavo Franco, economista e ex-presidente do Banco Central; Cássio Casseb, ex-presidente do Banco do Brasil e com passagens por grandes empresas; e Silvio Meira, especialista em tecnologia da informação e inovação e fundador do Centro de Estudos e Sistemas Avança- dos do Recife (CESAR).

“A eleição nos coloca num padrão de governança mais qualificado, como gostaríamos. Também vamos nos descolando da imagem do BBCE como uma iniciativa do setor de comercialização para passar a ser uma empresa ‘do’ e ‘para’ o mercado de energia”, afirma o presidente do conselho do BBCE, Daniel Rossi, que também está à frente da ZEG e é um dos fundadores da Capitale Energia. Rossi acrescenta que os novos integrantes trazem conhecimentos complementares ao conselho, composto também por outros sete executivos com experiência no setor elétrico e no mercado financeiro.

Fundado em 2012 por um grupo de comercializadoras, o BBCE funciona como uma plataforma eletrônica para negociação de energia. Hoje, tem 34 empresas do setor elétrico como acionistas, e os volumes de energia física negociados na plataforma chegam a 22,5% de todo mercado livre (ACL). Com o lançamento dos derivativos, a ideia é atrair para esse produto financeiro novos agentes, como bancos e fundos de investimentos, que não precisam da energia física mas queiram se posicionar em preços.

A empresa recebeu em março o aval da CVM para operar os derivativos de energia, mas a autarquia condicionou sua autorização ao cumprimento de alguns condicionantes, como a mudança no estatuto social e a eleição de conselheiros independentes. Outra exigência foi a criação de uma estrutura de autorregulação das atividades, com um comitê de supervisionamento e monitoramento.

“Devemos encerrar esse trabalho [de atendimento aos condicionantes] até o início da semana que vem”, afirma Carlos Ratto, presidente do BBCE.

A CVM ainda precisa avaliar o cumprimento das exigências e ratificar o aval concedido em março. Por isso, Ratto não prevê uma data específica para o início das operações com os derivativos, mas afirma que os testes da plataforma junto à CVM já foram finalizados. Agora, a empresa está planejando o período de testes com o mercado. “Minha expectativa é que deixemos o mercado operando a plataforma por pelo menos 30 dias”.

Os volumes transacionados pelo BBCE começaram o ano superando as expectativas, mas tiveram queda acentuada a partir de março, com o mercado operando em direção única devido à pandemia. Segundo Ratto, o comportamento não alterou a visão para os derivativos. “Em nenhum momento tivemos pressão para segurar o lançamento, estamos muito convictos”. (LF)

DE VALOR ECONÔMICO

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