São Paulo, 21/02/2020 – O Balcão Brasileiro de Comercialização de Energia (BBCE) registrou um crescimento de 30,9% no volume das negociações de energia em janeiro de 2020 frente a dezembro de 2019, mas um recuo de 37% na comparação com janeiro de 2019. “O mercado já vinha gradativamente voltando a negociar em tela e, no mês de janeiro de 2020, tivemos um aumento significativo deste volume. Isto representa um aumento da confiança, tanto entre os agentes do mercado como do mercado com a plataforma”, explica o presidente do BBCE, Carlos Ratto.

Em janeiro de 2020, foram comercializados 17,446 mil GWh, sendo 4,727 mil GWh (+112%) em negociações em tela e 12,719 mil GWh em boleta eletrônica. Com isso, o BBCE gerou 6.245 contratos, com R$ 4,2 bilhões de volume financeiro movimentado. Para efeito de comparação, em dezembro de 2019, o montante total comercializado na plataforma foi de 13,327 mil GWh, com 3.255 contratos e movimento financeiro de R$ 2,8 bilhões.

Ainda em janeiro de 2020, a plataforma informou que 99 novos usuários foram liberados para operação e registrou 54.548 acessos, uma média de aproximadamente 2.500 por dia. Na visão do BBCE, os resultados do mês passado mostram um cenário de retomada das negociações de compra e venda de energia entre os agentes do setor elétrico.

Em função do crescimento do número de usuários, o BBCE iniciou, nos últimos meses, um processo de revisão de sua infraestrutura de tecnologia para melhorar a performance e suportar o alto volume de acessos no ambiente. Entre as ações em desenvolvimento estão uma nova versão da plataforma, eliminando os gargalos de performance nos processos de negociação, a reestruturação da governança de tecnologia da informação (TI) e a estruturação do time de qualidade de software e implementação de novos processos.

Redução ante janeiro de 2019

Os volumes movimentados pela BBCE, porém, ainda estão abaixo dos números verificados em janeiro de 2019. Na ocasião, os agentes do setor negociaram 27,669 mil GWh em 8.301 contratos, gerando um volume financeiro de R$ 7,2 bilhões. De acordo com a BBCE, a redução entre janeiro de 2020 e igual mês de 2019 se explica pelo fato de que o mercado livre de energia enfrentou uma crise em fevereiro de 2019, após um pico inesperado no preço de liquidação das diferenças (PLD), referência para os contratos de curto prazo.Na ocasião, o PLD superou a casa dos R$ 400/MWh, em função de um cenário hidrológico desfavorável que não era esperado pelo mercado. Comercializadoras que operavam a descoberto foram surpreendidas pelo ambiente adverso de preços, e algumas delas passaram por grave crise financeira, chegando a quebrar. Essa conjuntura de incerteza contaminou o mercado, levando a uma desaceleração das operações nos meses subsequentes.

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Por Wellington Bahnemann