Liquidez no mercado de comercialização de energia elétrica foi prejudicada após vir à tona que algumas comercializadoras erram a mão na hora de fazer seus negócio.

A liquidez no mercado de comercialização de energia elétrica ensaia uma retomada após ser fortemente prejudicada no início do ano depois que veio a público que algumas comercializadoras estavam operando alavancas, erram a mão na hora de fazer seus negócios e ficaram inadimplentes. Dados internos da plataforma Balcão Brasileiro de Comercialização de Energia (BBCE) materializam o tamanho do estrago causado no mercado.

“Como sabemos, nos meses anteriores, a BBCE sofreu bastante por conta dos acontecimentos no final de janeiro, quando teve aquelas empresas que causaram certo transtorno para o mercado. Por conta disso, a liquidez foi bastante prejudica, não só na BBCE, mas o mercado como um todo acabou prejudicado”, disse Márcio Hasegawa, gerente comercial da BBCE, em entrevista exclusiva à Agência CanalEnergia nesta terça-feira, 14 de maio. “No nosso entendimento, essas operações feitas por essas comercializadoras tinham resquício até abril e agora a gente consegue visualizar o início da retomada das operações”, afirmou.

Em janeiro, a plataforma registrou 8.300 negócios, somando 27.669 GWh transacionados, um recorde de operações na BBCE. Uma vez que apenas uma parte do mercado tinha conhecimento do que estava acontecendo, depois que as notícias começaram a ganhar os jornais a quantidade de negociações caiu pela metade (46%) em fevereiro, para 4.459 negócios e 15.701  GWh. Como consequência, em março houve nova queda (39%) nos negócios na BBCE, para 2.700 negócios e 11.741 GWh.

“A gente acredita na retomada dos negócios. O que aconteceu no final de janeiro foi um alerta para todo o mercado, as empresas tiveram que rever os processos com relação ao risco e até estipular limites com as contrapartes. A gente acredita que o mercado esteja resolvendo essa questão e naturalmente a liquidez volte ao mercado”, disse Hasegawa.

Em abril, contudo, o número de negócios e volume voltaram a crescer, apesar de continuarem baixos: foram 4.583 negócios e 11.976 GWh.  Mesmo assim, segundo a BBCE, esses resultados “demonstram uma tendência de retomada do mercado com o aumento de 58% do número de negócios realizados em relação ao mês anterior”.

Hasegawa explicou que em janeiro, apesar de parte do mercado já saber o que estava por vir, havia um certo otimismo de que os problemas se resolveriam rapidamente. “Só no final de janeiro que o mercado viu o tamanho do rombo”, disse. O executivo disse que a BBCE tem trabalhado para aprimorar a segurança do mercado. Há uma aproximação às práticas realizadas no mercado financeiro, e uma das soluções é a criação de um derivativo financeiro atrelado à energia elétrica. A expectativa é que a BBCE receba a autorização para se tornar um balcão regulado, obedecendo as regras da Comissão de Valores Mobiliários CVM).

“A gente acredita na retomada dos negócios. O que aconteceu no final de janeiro foi um alerta para todo o mercado, as empresas tiveram que rever os processos com relação ao risco e até estipular limites com as contrapartes. A gente acredita que o mercado esteja resolvendo essa questão e naturalmente a liquidez volte ao mercado”, disse Hasegawa.

O BBCE iniciou suas operações em 2012 e rapidamente assumiu a liderança em negociação eletrônica de energia elétrica. Até dezembro de 2018, acumulou mais 168 mil GWh negociados através de 59 mil contratos e volume financeiro acima de R$ 41 bilhões.

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