Portal Solar por Ricardo Casarin 

Para Carlos Ratto, CEO da empresa, a fonte representa 7% do Ambiente de Contratação Livre (ACL) e há uma avenida de oportunidades pela frente

 

O Balcão Brasileiro de Comercialização de Energia (BBCE) destaca o crescimento da representatividade da energia solar no mercado livre de energia e vê a fonte como um grande potencial de oportunidades para o setor. “O ano de 2019 foi muito importante para a energia solar, com um aumento de 86% na geração no primeiro semestre. Hoje, a fonte representa 7% do mercado livre e entendemos que existe uma avenida de oportunidades”, disse o CEO da BBCE, Carlos Ratto.

Ele destaca que a exigência do consumo de fontes renováveis por parte da categoria consumidor especial, aquele com demanda entre 500 kW e 3MW, tem impulsionado a demanda. “Com a crescente migração destes consumidores para o mercado livre, existe uma demanda muito grande por estes tipos de fontes.

Vale lembrar que, conforme informações da CCEE [Câmara de Comercialização de Energia Elétrica] os consumidores especiais representam 70% do toal de agentes inscritos no mercado livre.”

Ratto avalia de maneira positiva iniciativas para alterar a regulação da comercialização de energia. “Estudos recentes da Empresa de Pesquisa Energética [EPE] em conjunto com a CCEE e Operador Nacional do Sistema (ONS) indicam um crescimento médio do consumo no país de 3,7% ao ano. Somando a isso, o governo vem atuando para flexibilizar as regras de acesso ao mercado livre de energia, a exemplo da Portaria 514 e, recentemente, da aprovação junto ao Senado do Projeto de Lei 232/2016, o qual contribuirá à migração dos volumes consumidores para o ambiente livre.”

Ele aponta que representantes do mercado tem trabalhado para que a abertura do mercado atinja um maior número de consumidores, mas que ainda há algumas barreiras, como a infraestrutura necessária. “É um processo longo, mas a direção já foi dada.”

O executivo também cita como uma mudança significativa o desenvolvimento do mercado de derivativos de energia. “De uma forma mais transparente e eficiente, os agentes do mercado, assim como bancos e fundos, poderão negociar o preço da energia e assim contribuir para aumentar a liquidez e criar uma referência de valor baseado nas operações de mercado.”

Por fim, Ratto demonstra preocupação com os efeitos da pandemia do coronavírus na economia. “A situação que está ocorrendo dificilmente seria prevista em qualquer tipo de cenário. Uma grande preocupação que não atinge só o mercado de energia, mas toda a economia global. A retração que está acontecendo ocasiona uma diminuição no consumo de forma generalizada. Consequentemente a cadeia de produção também será fortemente afetada. O consumo de energia elétrica tem reflexo direto neste ponto, bem como suas negociações.”