O mercado financeiro e o de energia dependem, na grande maioria das vezes, de números, gráficos e previsões, com o objetivo de aumentar a rentabilidade de seus contratos. Mas não são apenas esse fatores que tem aproximado cada vez os mercados. Isso porque, os produtos oferecidos aos clientes também estão mais parecidos.

Um movimento recente do setor elétrico vê como horizonte a negociação de derivativos de energia no país, tendo o Balcão Brasileiro de Comercialização de Energia (BBCE) à frente desses contratos.

Os derivativos são contratos financeiros que derivam a maior parte de seu valor de um ativo subjacente, taxa de referência ou índice. A evolução desse produto para o mercado de energia, tem o objetivo de trazer mais segurança e transparência para as negociações do mercado, uma vez que separa as operações que dependem da entrega física das operações puramente financeiras.

Esses contratos são registrados na bolsa de valores de São Paulo (B3) e fiscalizados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

O estudo Financiamento do Setor Elétrico: desafios e novos caminhos, produzido pelo Instituto Acende Brasil, corrobora com essa aproximação e aponta que o “setor elétrico é fortemente condicionado pelo mercado financeiro”. Isso porque, independente do segmento de energia, todos necessitam atrair investimentos.

Somado a isso, o sistema de financiamento de projetos é complexo, com índices geralmente indexados à inflação e contratos de longo prazo. E a disponibilidade de capital para financiar a infraestrutura não é impactada somente pela oferta, como também pela demanda, e tem o governo como concorrente pelos recursos financeiros.

Por isso, “a distribuição de valores mobiliários na bolsa ou no mercado de balcão permite que as empresas captem recursos financeiros de forma massificada”, aponta o Acende Brasil no estudo, que completa: “o grande atrativo do mercado acionário é sua flexibilidade, tanto para a empresa como para o investidor”.

O mercado de ações brasileiro é relativamente novo. Mas, segundo a proposta do fundo de investimento multimercado CSHG Delta Energia – o primeiro a operacionalizar contratos de pré-pagamento de energia futura de hidrelétricas – havia interesse do mercado em alternativas para negociação de ativos de energia desde 2012.

O fundo é fruto de uma parceria entre o Grupo Delta Energia e o Credit Suisse. A compra da energia é operacionalizada pela Beta Energia, também comercializadora do grupo, que compra a produção futura hidrelétrica antecipadamente, e realiza o pagamento ao vendedor.

Com isso, os dois lados do mercado acabam ganhando: os investidores, com uma nova opção de investimento, e os projetos, que acabam obtendo um financiamento do próprio mercado.

E se as operações dos mercados reduziram os limites de negociação, as empresas do setor também têm se aproximado – fisicamente. Atualmente, 64,5% das comercializadoras de energia elétrica do país, e que são associadas da Associação Brasileira de Comercializadoras de Energia Elétrica (Abraceel), estão localizadas no estado de São Paulo. Dessas, 83% estão localizadas nas proximidades da avenida Brigadeiro Faria Lima e Engenheiro Luís Carlos Berrini, que são famosas por reunirem as principais empresas do mercado financeiro.

Por Natalia, da Mega What.