Cada vez mais perto de obter o aval para negociar derivativos de energia elétrica, o Balcão Brasileiro de Comercialização de Energia (BBCE) já vislumbra buscar autorização para lançar outros produtos, como derivativos de gás por exemplo, disse Carlos Ratto, presidente da empresa.

No dia 17 de março, o BBCE recebeu autorização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para atuar como um administrador de balcão organizado. Antes do início definitivo, contudo, será necessário cumprir algumas condicionantes. O prazo para isso é de 90 dias a partir da autorização.

 

Carlos Ratto, presidente do BBCE – Foto: Divulgação

 

“Não é nada diferente do que esperávamos, são condicionantes naturais”, disse Ratto. Antes de tudo, o BBCE mudou seu estatuto para prever, além dos sete conselheiros atuais, outros três independentes. Agora, a companhia está entrevistando os potenciais conselheiros. Os nomes, depois disso, serão levados à assembleia de acionistas. 

A estrutura de auto regulação aprovada pela CVM também prevê a criação de um comitê de supervisão e monitoramento de mercado, composto de dois dos três conselheiros independentes.

Outra área é a de supervisão e monitoramento de mercado, para a qual o BBCE já contratou o especialista Gustavo Abud. “Formada a área, vamos para aprovação do plano de auditoria e supervisão de mercado para 2020, o que já foi feito”, disse Ratto.

Paralelamente aos esforços para cumprir as condicionantes até 17 de junho – o que pode ser desafiador no cenário de pandemia -, o BBCE está realizando um trabalho educativo sobre a importância dos derivativos de energia para a segurança e transparência do mercado livre de energia. Segundo Ratto, estão sendo preparados webinários temáticos, além de uma cartilha sobre o mercado de derivativos.

“Assim que tivermos uma sinalização também vamos, antes de operar de fato, lançar a plataforma em um período de testes de 30 dias, para que o mercado possa se adaptar”, disse Ratto. 

Quando o BBCE finalmente começar a operar como balcão organizado, haverá três modalidades de operação. A primeira é a chamada “tela cega”, na qual as contrapartes só se conhecem no fechamento da operação. A segunda é aquela na qual a operação é conduzida pelo telefone e ao fim é gerada uma boleta para seu registro. A última é o registro puro e simples das operações. 

“A autorização [da CVM] é para sermos administradores de um mercado de balcão organizado. O primeiro produto é o derivativo, mas isso abre possibilidade de lançar outros, como derivativos de gás, por exemplo. Isso vai depender muito do mercado”, disse Ratto. Para cada novo produto, será preciso o aval do regulador de mercado.

O momento atual pressiona o BBCE ao tirar liquidez das operações do mercado livre, já que os preços estão em tendência única de baixa. A possibilidade de novo boom de crescimento no mercado livre, contudo, anima o executivo. “Um dos vetores de crescimento do BBCE é o aumento de participantes no mercado livre”, disse. 

entrada da B3 no setor elétrico, com a autorização para pré-registrar contratos de energia, não surpreendeu Ratto. “Era algo que já esperávamos que fosse acontecer”, disse.

Segundo o executivo, o BBCE segue caminhando forte com seu objetivo de aumentar a liquidez e a transparência do mercado. “Já publicamos uma curva de preços bastante utilizada como referência no mercado”, disse Ratto. Segundo ele, com a introdução de derivativos, existirão ainda mais dados. 

Uma bolsa de energia, com contraparte central, é uma possibilidade no futuro. “Mas temos que cumprir várias etapas antes disso, o mercado vai nos dizer o tempo”, disse Ratto. 

 

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