O crescimento do uso de carros elétricos sozinho não garante a redução das emissões se a fonte de energia utilizada para abastecer os veículos não for renovável. Foi com esse pensamento que a Zeg, empresa brasileira de energia e sustentabilidade, fechou uma parceria com a Jaguar para garantir que os primeiros 250 veículos I-PACE vendidos no Brasil serão abastecidos por fontes renováveis por oito anos.

Cálculos feitos pela Zeg apontam que se o Brasil substituísse toda sua frota atual (excluindo veículos de carga) por carros elétricos, seria necessária a expansão de 21% da matriz elétrica do país. Se apenas 10% da frota for trocada, haverá necessidade de expansão em cerca de 1,4 gigawatts (GW) médios.

“Isso demonstra que a expansão da mobilidade elétrica também passa pela expansão do sistema como um todo, e entendemos que isso tem que ser feito com fontes renováveis”, disse Daniel Rossi, presidente da companhia e um dos fundadores da Capitale Energia, que atua em comercialização, gestão e geração, e foi o primeiro investimento do grupo.

Para abastecer os 800 veículos elétricos da Jaguar, a Zeg estima que serão necessários 1.250 megawatts-hora (MWh) por ano, o que será garantido por meio de uma das três centrais de geração hidrelétrica (CGH) de 2,8 megawatt (MW) que a companhia pretende construir em São Paulo. “Vamos construir três CGHs com o carimbo do I-Rec para potencializar o selo Zeg de energia renovável”, disse Rossi.

Os veículos da Jaguar usarão cerca de metade da potência de uma das CGHs, mas a ideia da Zeg é poder oferecer o mesmo a outros clientes corporativos da companhia e também da Capitale. “Temos outros clientes que precisam demonstrar que têm energia renovável no portfólio, não necessariamente para mobilidade”, disse Rossi.

Os certificados de renovável são considerados um diferencial da Zeg para agregar valor ao serviço prestado, em um mercado que cresce cada vez mais e conta com intensa competição. “É um benefício, um diferencial que oferecemos”, disse Rossi.

No caso da parceria com a Jaguar, a ideia é explorar a imagem de que os veículos elétricos não são poluentes. “É um veículo de luxo, normalmente quem o adquire não está preocupado com o preço”, apontou Rossi. O certificado renovável atual, dessa forma, como diferencial “e motivo de orgulho para quem tem.”

“Vamos ter também a certificação da Zeg para outras linhas de produtos. Nossa estratégia passa por associar a empresa e o conceito a grandes marcas que querem carregar a imagem de preocupação socioambiental”, disse Rossi. Eventualmente, a companhia avalia vender serviços semelhantes para outros clientes, como redes de varejo e indústrias.

Por Camila Maia | De São Paulo

Matéria publicada no Valor. Clique aqui.