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Com El Niño, preços na BBCE caem até 44% em dois meses

Volumes negociados sobem 22,8% em meio à volatilidade de valores da energia

 

Em meio a piores expectativas sobre o clima em virtude do fenômeno El Niño, a BBCE – maior ambiente de negociação de futuros de energia – encerrou julho com queda de preços. Os contratos com fornecimento em setembro na região Sudeste fecharam o mês a R$ 138,32/MWh, retração de, aproximadamente, 14% em comparação com o fechamento de junho e 44% em relação ao último dia útil de maio. Dentre os destaques estão também os ativos com vencimento em agosto, que acumulam queda de 23% nos dois últimos meses e encerraram julho a R$ 188,86/MWh.

Os contratos com entrega no 4T2026 e em janeiro de 2027 encerraram o período com retração acumulada entre julho e junho de, aproximadamente, 8% e as operações superiores a fevereiro do próximo ano mantiveram-se estáveis e subiram cerca de 1%.

Volumes em alta

Com a volatilidade do período, julho encerrou com 27 TWh de contratos futuros de energia negociados, crescimento de 22,8% em relação a junho de 2026 e redução de 11,8% no comparativo com o mesmo período de 2025. O montante financeiro transacionado também apresentou alta, somando R$ 6 bilhões, o que representa um incremento de 18,6% no comparativo com o mês anterior e retração de 12,2% em relação ao mesmo mês de 2025.

 

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De acordo com Eduardo Rossetti, diretor-executivo de Produtos, Comunicação, Marketing e Relações Institucionais da BBCE, o período refletiu a busca das contrapartes por posicionamento de curto e médio prazo. Dentre os fatores que impactaram o período estão  as expectativas em relação ao clima e o fenômeno El Niño, que pode elevar temperaturas e trazer secas em algumas regiões, reduzindo os reservatórios e elevando, assim, os preços de energia.

 

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Outro indicador que apresentou alta em relação a junho foi a quantidade de negócios. Foram, aproximadamente, 4 mil operações, alta de 13% em comparação com o mês anterior e queda 40,4% em relação ao mesmo mês de 2025, o que ampliou o valor médio dos contratos.

Para Rossetti, o mercado futuro de energia, historicamente, é impactado por momentos de alta volatilidade e de incertezas climáticas. “A energia gerada no País possui grande influência da natureza, com isso, momentos como a chegada do El Niño fazem com que os agentes busquem mais se posicionar nesses ativos, o que aumenta volumes transacionados e a atividade em nossa plataforma”, completa.

 

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Como funciona a negociação de futuros de energia no ACL?

 

No Ambiente de Contratação Livre (ACL), os agentes — como geradoras, comercializadoras e grandes consumidores — negociam energia diretamente, definindo preços, volumes e prazos com maior flexibilidade do que no mercado regulado. Essas operações podem ser fechadas para fornecimento em poucos dias ou imediatamente ou contratadas no mercado futuro, onde os agentes se posicionam e se protegem contra oscilações de preços.

A movimentação concentrada em contratos de curto prazo (como os de entrega mensal para agosto e setembro) ocorre porque as empresas buscam se proteger ou aproveitar oportunidades decorrentes das oscilações de oferta, demanda e expectativas de preço no mercado spot (PLD). Ao fechar contratos em ambiente estruturado como o da BBCE, o mercado busca liquidez e previsibilidade para ajustar seus portfólios de energia de forma transparente e segura.

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