Valores de ativos com fornecimento em agosto fecham em queda e 2027 mantém preços elevados; volume transacionado no mês atinge 20 TWh, totalizando R$ 4,45 bilhões
O El Niño e as incertezas do setor trouxeram muita volatilidade à tela da BBCE, maior ambiente de negociação de ativos e derivativos de energia do Brasil, em agosto. Com preços em diferentes direções ao longo do mês, a energia para fornecimento em agosto encerrou em baixa, enquanto os contratos para 2027 seguiram negociados em níveis superiores aos de 2026, refletindo a precificação de maiores incertezas.
Enquanto os contratos com fornecimento de energia em 2026 no Sudeste oscilaram entre R$ 128,00 e R$ 314,50/MWh, as operações para 2027 foram negociadas em patamares consistentemente mais elevados, próximos de R$ 300,00/MWh, e atingiram R$ 335,00/MWh para entrega em janeiro.

Os contratos para entrega em agosto de 2026 fecharam o mês a R$ 129,53/MWh, representando uma queda de 6,35% em relação ao final de julho (R$ 138,32/MWh). De acordo com Eduardo Rossetti, diretor-executivo de Produtos e Relações Institucionais da BBCE, o mercado ainda opera considerando os impactos do fenômeno El Niño e ajustando posições. “Um dos pontos que direciona o olhar dos agentes é se haverá bandeira vermelha, fator que vemos sinalizado nos preços a patamares próximos aos R$ 300/MWh”, completa. “A volatilidade segue alta e abrimos setembro em movimento de queda”, detalha.
Nas operações para setembro de 2026, os valores caíram 5,27%, encerrando a R$ 178,91/MWh. O vencimento de outubro de 2026 apresentou recuo de 10,13%, cotado a R$ 227,17/MWh, e os contratos para o quarto trimestre de 2026 (4T26) registraram redução de 5,73%, fechando o período a R$ 264,42/MWh.
Já as operações com fornecimento em janeiro de 2027 encerraram o mês negociadas a R$ 321,06/MWh, ante R$ 325,15/MWh no fechamento de julho. Os contratos para o primeiro trimestre de 2027 fecharam a R$ 320,87/MWh, aumento de 7,29% em relação a julho passado (R$ 299,08/MWh).

Aumento no número de operações e contratos em tela
Em termos de liquidez e movimentação, a BBCE encerrou agosto um total de 20.003 GWh (20,0 TWh) negociados em contratos futuros de energia. O montante representa um recuo de 26,01% na comparação com julho de 2026 (27.036 GWh).

Já o volume financeiro transacionado somou R$ 4,45 bilhões no mês, queda de 26,69% frente ao mês anterior (R$ 6,07 bilhões) e de 46,77% em comparação com agosto do ano passado (R$ 8,36 bilhões).

Por outro lado, o ritmo de fechamento de negócios manteve-se acima de julho. O total de contratos transacionados alcançou 4.535 operações em agosto, uma alta de 10,85% em relação aos 4.091 contratos em julho – embora apresente redução de 24,81% ante os 6.031 de agosto de 2025. Destas operações, os contratos negociados em tela somaram 2.720, crescimento de 22,25% na comparação com julho de 2026.

Como funciona a negociação de futuros de energia no ACL?
No ambiente de negociação da BBCE, os agentes – como bancos, tradings internacionais, geradoras, comercializadoras e grandes consumidores – negociam energia diretamente, definindo preços, volumes e prazos com maior flexibilidade do que no mercado regulado. Essas operações podem ser fechadas para fornecimento no próprio mês ou nos meses, trimestres, semestres e anos seguintes.
A movimentação e os ajustes nas curvas de preços ocorrem conforme as empresas buscam se proteger ou aproveitar oportunidades decorrentes das oscilações de oferta, demanda e expectativas de preço no mercado spot (PLD). Ao fechar contratos em ambiente estruturado como o da BBCE, o mercado busca liquidez e previsibilidade para ajustar seus portfólios de energia de forma transparente e segura.