Volume financeiro registrado até agosto representa um crescimento de 230% em relação ao mesmo período do ano anterior, totalizando 56 TWh em contratos de proteção.
A BBCE – maior ambiente para negociação de energia do Brasil – fechou o mês de agosto atingindo um marco inédito em sua operação: R$ 10 bilhões em derivativos de energia em estoque. O valor representa um salto de 230% em comparação ao mesmo período do ano passado e consolida a expansão dos instrumentos de gestão de risco no setor elétrico brasileiro.
Em termos operacionais, o volume equivale a 56 TWh — montante suficiente para suprir cerca de cinco semanas de todo o consumo de energia do Brasil. O “estoque” refere-se ao valor total vigente na carteira de contratos mantidos pelas empresas na plataforma.
As operações de derivativos atualmente registradas no balcão da BBCE são compostas, em sua maioria, por contratos não padronizados para proteção (hedge) contra riscos de diferença de preços entre submercados e de geração de energia eólica e solar, incluindo curtailment, que é a interrupção ou cortes de geração pelo operador do sistema.
De acordo com Camila Batich, CEO da BBCE, alcançar essa marca é um recorde numérico para a BBCE, mas também um indicador claro de que o mercado de derivativos vem avançando e que o setor elétrico tem amadurecido. “Os agentes entenderam que a volatilidade e os desafios operacionais, como o curtailment e o descolamento de preços regionais, exigem ferramentas eficientes de hedge”, explica.
Segundo a executiva, com a Reforma Tributária, o custo contábil deste tipo de operação será reduzido, o que propicia um maior interesse dos agentes na utilização deste mecanismo para proteção de balanço. “Estar no centro dessa transformação, oferecendo a segurança e a infraestrutura necessárias para que o setor proteja seus ativos e cresça com sustentabilidade financeira, é o verdadeiro significado desta conquista”, destaca a executiva.